domingo, 18 de março de 2007


O valor da amizade está bem presente nestas palavras que subscrevo inteiramente. Obrigada ao Caetano Veloso.

“Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles. A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objecto dela se divida em outros afectos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade. E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências… A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar. Muitos deles estão lendo esta crónica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos. Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure. E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida. Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo! Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles. E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem-estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo. Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles. Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer... Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos! A gente não faz amigos, reconhece-os.”
Caetano Veloso

quarta-feira, 7 de março de 2007

MIGRAÇÕES


Viagens planeadas ou talvez não…
Deslocações concretizadas
Crianças deslocadas do seu habitat
Adaptações que se impõem
Decisões tomadas

É necessário reinventar o tempo
Aproveitar os momentos
Sentir o presente agora
Sem pressa do futuro incerto
E não criar desalento

Fugir das rotinas
Iniciar um novo ciclo
Tragar o ar da montanha
Olhar o horizonte sem medo
Libertar tensões acumuladas
Reinventar brincadeiras
Sem receio do ridículo
Sentir toda a energia em redor
Carregar baterias para regressar
Aos ciclos com pouco brilho
Cada vez mais sem rumo

Horizontes enredados
Expectativas goradas
Desafios se impõem
E tanto desalento em redor…
Sentidos alerta
Objectivos delineados?
Que se vai seguir?
Quero ensinar a sentir
Provocar o espanto
Gerar espíritos críticos
Tentar esquecer as divisões
Ignorar os atropelos
Sossegar o espírito
Rumar com sentido
Neste mar revolto
Sobreviver às tempestades desenhadas
Lançar sementes à terra
Regar espíritos famintos
Colher as flores desejadas

Volver e mergulhar no mar…
Mar de sons e palavras
Deixar tecer fios invisíveis
Construir as cadeias possíveis
Adubar as mentes
Como um jardineiro dedicado
Libertar os sentidos
Ignorar os “trepadores”
Pois se alto querem chegar
Podem sucumbir na tarefa
E deixar-se afogar

Gerar, Criar, Inovar
Provocar emoções
Despertar razões
Inquietar corações
Sentir os aromas no ar

Despertar a Primavera em nós
Socorrer as almas perdidas
Colocar guias no caminho
P‘ra novos rumos achar.

quinta-feira, 1 de março de 2007

INDECISÕES…


Nem sei se devo reflectir…
Há palavras que se impõem
Querem ser ditas e ficam travadas
Empecilhos que se levantam
Momentos que se adiam
A sensação permanece…
É necessário falar
Libertar as ideias
Obrigar à reflexão
Mas o tempo vai galopando
Como um cavalo selvagem
Teias que se tecem
Enredos que se criam
E qual insecto indefeso
A malha aperta, instala-se
E és sugado
Rumos definidos
Conscientes ou não…
Liberdade para ouvir e partilhar…
Onde está ela?
Oh Primavera…
Vem conspirar de novo
Iluminar caminhos
Definir etapas desejadas
Para que o Verão não surja do nada
E o Outono te consuma
Antes do Inverno te levar de nós
Teus amigos